O Patrimônio Histórico de Manaus pela ótica da Arquiteta Ana Nascimento Guerreiro.

Ana Nascimento Guerreiro formou-se em Economia em 1990. Apreciadora do trabalho de Severiano Porto, enxergou a oportunidade para entrar na primeira turma de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Nilton Lins. Quando formou-se em 2005, cursou especialização em Patrimônio Cultural como bolsista da Unesco no IPHAN, seguindo então como professora na Nilton Lins e UFAM; além de projetos para clientes. Mas foi na docência que encontrou um sentido maior para sua carreira. Afirma que, como professora universitária trilhou uma vertente profissional gratificante: a busca constante pelas áreas de estudo correlatas, gerando mestria. Observar seus alunos enquanto indivíduos; cidadãos de uma geração que buscam o habitat sustentável, discutindo; debatendo a arquitetura e as cidades, compartilhando com eles a erudição, experiências como o Patrimônio Histórico e Urbanismo. Idealiza e confia que a matriz do seu trabalho produzido na Universidade, colabora com os discentes, construindo novas idéias junto aos administradores públicos. A arquiteta define que o Patrimônio Histórico e Cultural representa a herança de um povo, dentro de um contexto urbano. A arquitetura apresenta-se como um testemunho na construção de uma sociedade, sendo a manifestação mais relevante para a compreensão de sua história. Para Ana, Manaus é um dos maiores testemunhos de uma fase histórica da economia mundial: o período da borracha, que proporcionou o surgimento de cidades excepcionais em meio a floresta como Rio Branco, Belém e Manaus, todas testemunhas do incremento industrial. É imperativo preservar a paisagem urbana ainda existente em Manaus onde há trechos e prédios de aspectos simbólicos, repletos de feitos artístico-construtivas, configurando a “alma” urbana de patrimônio singular. Diferentes culturas se dirigiram a nossa cidade em dois momentos diferentes: o primeiro no final do século XIX e o segundo a partir da implantação da Zona Franca de Manaus, gerando a explosão da urbanização. Foi perante este modelo de industrialização o qual conhecemos hoje como PIM, que começamos a perder muitos dos nossos exemplares arquitetônicos em nome do “desenvolvimento”. Perdemos o Cine Teatro Guarany, o palacete Miranda Corrêa e vários edifícios foram descaracterizados ou demolidos; dispara Ana. O tombamento apresenta-se como um conjunto de ações de leis específicas, com o objetivo de proteger esse patrimônio. A proteção legal do Centro Histórico da Cidade de Manaus está fundamentado em leis municipais, estaduais e federais. No entanto, a ocupação desordenada do centro, foi um obstáculo para tomada de decisões no sentido de intervenções e projetos: é o caso da difícil tarefa de realocar os vendedores ambulantes em galerias populares e retirar as barracas que tanto poluíram visualmente as ruas do centro. A Urbanista, observa que há muito para conscientizar na sociedade, quanto a percepção do valor de imóveis históricos e suas características, uma tarefa nada fácil. Diretrizes existem, mas todas esbarram em questões sociais conflitantes; a preservação do patrimônio, é deixada de lado. Ana possui um senso de vanguarda, quando afirma que os espaços públicos, vivos e agradáveis, são a chave para um planejamento de excelência em uma cidade. Ainda hoje há projetos urbanos que tem em mente carros e não ciclovias, nem tão pouco ênfase ao transporte de massa eficiente, convidando as pessoas a descobrirem que não necessitam de carros. O colunista pensa da mesma forma, quando vamos por exemplo a Paris, percebemos este cenário. Sua cultura arquitetônica, digo, da arquiteta Ana, passa por influências de Frank Lloyd Wright, Alvar Aalto, Severiano Porto, Afonso Reidy e Oscar Niemayer. No contemporâneo a arquiteta tem em suas inspirações em Zaha Hadid, Richard Meier, Frank Gehry e Jean Novel. Acompanha o andamento das ações e políticas e públicas em defesa do Patrimônio Histórico de Manaus, constata, que as mais bem sucedidas experiências foram por parte da SEC, sob comando de Robério Braga, obtendo apesar da falta de recursos, as melhores iniciativas, como o Programa Belle Époque. Já o programa Monumenta, do Governo Federal, foi um verdadeiro fiasco, somente duas das obras desse programa foram finalizadas, o Mercado e o Paço Municipal, afirma Ana. Atualmente a Prefeitura está trabalhando em novos projetos no Centro Histórico como a requalificação da Av. Eduardo Ribeiro. Enfatiza que as três esferas do poder público devem harmonizar um plano único para o Centro, reunindo esforços para diminuir o estrago causado por anos de destruição, apresentando novas soluções para a cidade. A coluna agradece, vida longa e próspera à Ana Nascimento Guerreiro. Contatos: 33020061 e 981168008

Conheço muitas cidades com os sítios históricos bem preservados, mas enquanto metrópole, escolho Barcelona, exemplo bem sucedido do uso de planejamento estratégico na requalificação de áreas dotadas de patrimônio cultural e reestruturação urbana.

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